Os FIIs são mesmo um “conto do vigário”, como diz Barsi? Veja o que dizem especialistas

Os FIIs são mesmo um “conto do vigário”, como diz Barsi? Veja o que dizem especialistas

  • Economia

Em entrevista ao Valor Econômico, o investidor criticou os fundos imobiliários: “conto do vigário”

Luiz Barsi, um dos maiores investidores individuais da Bolsa brasileira, conhecido pela estratégia de comprar ações de empresas que pagam dividendos generosos, criticou duramente os fundos imobiliários. Afirmou que são um “conto do vigário” e acrescentou: “fuja dos fundos”.

A fala de Barsi — que deu as declarações em entrevista ao jornal Valor Econômico — repercutiu no mercado de FIIs. Especialistas ouvidos pelo InfoMoney discordam do investidor e afirmam que os fundos imobiliários podem ser, sim, bons geradores de dividendos.

“Os fundos imobiliários são a porta de entrada do investidor de renda fixa para a renda variável”, afirma Raphael Vieira, head de renda fixa e sócio da consultoria financeira Arton Advisors.

Para Vieira, o produto tem se mostrado uma boa opção de geração de renda passiva, mas precisa ser melhor compreendido.

“Nos últimos 12 meses, por exemplo, a Taesa (TAEE11) tem um retorno com dividendos de 9,9%. Já o retorno com o FII BlueMacaw (BLMG11) é de 12%”, compara utilizando uma das ações preferidas dos investidores interessados em dividendos.

Em um período maior e levando em conta apenas os FIIs do Ifix — índice dos fundos imobiliários mais negociados na Bolsa — há casos de retornos com dividendos de quase 60% em cinco anos, como é o caso do Mérito Desenvolvimento (MFII11).

Outros fundos, como o RB Capital (RBRD11) e o Newport Renda Urbana ([ativo=NEWU]), apresentaram até um retorno com dividendos maior do que o Mérito Desenvolvimento, mas registram retorno total — dividendos mais valorização da cota — negativo.

Se em alguns casos a desvalorização sinaliza a perda de fundamentos do fundo, em outros a cotação reflete a própria dinâmica da Bolsa, afirma Vieira.

“Ao longo do tempo, há um descolamento do preço da cota com o valor real dos imóveis, o que pode assustar o investidor”, explica Vieira. “O preço do galpão não vai ser reduzido porque a cotação do fundo apresentou queda na Bolsa”, aponta.

Além disso, Vieira lembra que os fundos imobiliários, especialmente os de tijolo, possuem imóveis reais, que se valorizam ao longo do tempo. “Se você replicar um prédio construído há dez anos, sem dúvida custará mais caro do que custou no passado”, diz. “A diferença nem sempre aparece no valor de mercado da cota”, completa.

Especialistas em FIIs reclamam de Barsi

“Foi um gol contra do Barsi”, afirma Marcos Baroni, da Suno Research, que destaca o respeito pela história de Barsi. Neste caso, porém, o professor Baroni contesta o investidor. “Os fundos imobiliários são veículos de dividendos sim”, garante.

Baroni toma como exemplo o desempenho das empresas do Idiv – índice de Dividendos da Bolsa – na comparação com o Ifix. Os dois indicadores apresentam comportamento similar ao longo do tempo.

Mesmo com a correlação, Baroni destaca que a comparação não faz sentido porque confronta os fundos imobiliários com empresas de setores diversos. Para ele, a comparação mais justa seria com as companhias do setor imobiliário listadas na Bolsa.

“Comparados com as empresas do IMOB – índice do setor imobiliário na B3 – fica muito evidente a consistência dos fundos imobiliários”, aponta. Pela simulação, em cerca dez anos o Ifix teria acumulado um retorno de 180% contra uma alta de 176% do Idiv e queda de 29% do Imob.

FONTE: InfoMoney

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